Sábado, Abril 22, 2006

É por uma questão de sensibilidade!!

Porque é que as mulheres simpatizam com os gays?
Não creio que passe pelo interesse em conquistar alguém que, à partida, é inacessível. A isso chama-se perda de tempo e não é por aí que passam os nossos interesses. Trata-se sim de uma conciliação de modos de ver as coisas.
Com um amigo gay não precisamos de disfarçar nada. Se estamos mal por um motivo amoroso ele entende, dá o ombro, chora connosco, se preciso for. E podemos dizer os maiores disparates que há do outro lado a sensibilidade suficiente para entender porque o estamos a dizer e até a cumplicidade suficiente para dizer disparates connosco e rirmos dessa forma juntos.
Um homem hetero se nos vê neste tipo de disposição encolhe os ombros e não tem paciência para aturar as lamechices. Não é condenável, às vezes nem nós temos paciência para nos aturarmos, mas o facto é que há momentos em que precisamos desesperadamente que alguém ouça os disparates femininos.
Com um amigo gay, não há possibilidades de criar falsas expectativas. Sabemos os seus gostos, o que quer e sabemos que está connosco e nos ouve sem um interesse fisico escondido.
O facto de não criarmos qualquer tipo de ilusão acerca de um possível relacionamento faz toda a diferença. Sem interesses, à parte do da amizade, podemos ser mais nós. E vice-versa.
Em qualquer conquista, tudo o que é demasiado fácil perde a graça. O que é demasiado difícil ou impossível é masoquismo, portanto, não creio que a maioria das mulheres goste dos homens gays, com finalidade de conquista. Gostam, pela sensibilidade que está mais apurada e virada para aquilo que também nós preferimos.
O.L.

Quinta-feira, Abril 13, 2006

É dos gays que elas gostam mais

Nos locais que costumo percorrer no horário de almoço deparo com muitos cartazes. São de espectáculos ou de venda de alguma coisa. Mas há uma tendência que cada vez me parece mais óbvia, a estética dominante é cada vez mais gay, até no cartaz do Avô Cantigas. Não digo isto como uma crítica implícita. Nem me parece que esta tendência gay seja um claro piscar de olho à comunidade homossexual. Penso, antes, que são muitos heterossexuais que se fascinam por tudo o que tenha um ar gay.

O que me leva a fazer a fazer uma pergunta. Porque razão tantas mulheres se sentem atraídas por gays? Que fantasias desperta nas mulheres um homem que não se sente particularmente interessado na interessada? É preciso esclarecer que o fascínio dos homens por mulheres lesbianas nada tem a ver com isto. O homem não se interessa propriamente em conquistar uma lésbica mas sim em vê-las em acção. Mas no caso feminino, parece que o objectivo é mesmo a conquista.

Em teoria, seria um desfio tão grande uma mulher conquistar um gay, como um homem conquistar uma lésbica. Acontece que há outro factor relevante. Um homem conquistar uma mulher é sempre difícil e, por isso, a conquista de uma lésbica não é assim um acréscimo de dificuldade tão grande. Contudo, se uma mulher quiser conquistar um homem, consegue fazê-lo sem dificuldade. A conquista de um gay levanta desafios sem precedentes. Sem bem que muitas mulheres gostem de se fazer difíceis, o que elas gostam mesmo é dos homens que são difíceis.
Não parece, mas este é o meu post pascoal. A todos, uma boa Páscoa.
MC

Segunda-feira, Abril 10, 2006

O Verão quando o Homem quer

Claro que o tempo primaveril, o sol, o calor trazem alterações hormonais. Não é por acaso que a Primavera é a época, por excelência, do enamoramento de tudo quanto é bichinho, desde os pássaros até aos macaquinhos, e etc...
Mas, pegando no ponto de vista masculino, não é necessária a chegada da primavera ou do verão para que os apetites se tornem mais evidentes.
Basta ir a uma discoteca da moda e veremos como o Verão está lá instalado o ano todo.
Se durante o Inverno o sector masculino se fartar de ver as senhoras de gola alta, não têm de todo de viajar para países de climas tropicais.
Basta ir a um club nocturno e verão desde adolescentes a quarentonas solitárias, sem noção de rídiculo, vestidas de forma bastante... primaveril.
O tempo não adia a natureza. Hoje, só há adiamento se se quizer.
O que o tempo tem mudado é a forma da natureza se manifestar!!
O.L.

Quarta-feira, Abril 05, 2006

Primavera

Dizem que a primavera é a estação do amor. O ar condicionado e todas as comodidades modernas não substituem a chegada da primavera. Talvez seja genético, mas o corpo reage com um ímpeto procriador aos sinais primaveris, a subida de temperatura, maior quantidade de luz, os aromas que a natureza exala. E do ponto de vista masculino, há também toda uma série de sinais femininos que fazem a sua aparição, decotes alargados, saias mais subidas e ombros descobertos.

Acontece que primavera só é primavera quando aparece suavemente e se mantém num crescendo que desembarca no verão. Há uns anos atrás, tristemente imortalizado por uma vaga de incêndios, praticamente não existiu primavera. O verão quase que sucedeu Inverno. E este ano a primavera parece não conseguir arrancar em força, andando intermitente com o Inverno. Dirão que “Abril águas mil” mas recentemente um especialista em alguma coisa veio dizer que, originalmente, o provérbio não queria dizer que Abril seria um mês de chuva mas de abundância devido à chuva dos meses anteriores. Por isso, o tempo vai adiando a nossa natureza.

MC

Terça-feira, Março 21, 2006

"Eterno enquanto dure"

Esperei pelas duas partes do texto para opinar apenas sobre o que vem escrito uma vez que ainda não li o livro nem conheço a obra do autor.
Diz o Mário que, à partida, não é fácil refutar as teorias defendidas por Erich Fromm e quando li os textos que produziu, à primeira leitura, quase que concordei com tudo.
Olhando com um pouco mais de atenção e numa segunda leitura, já não.
O Amor é uma arte. Sem dúvida que o é, porque exige trabalho e dedicação para o manter, como qualquer outra coisa na vida. Quanto ao facto de o autor achar que em outros tempos a promessa de amor eterno ser levada mais a sério enquanto compromisso, no sentido de estar em causa o carácter e a vontade da pessoa (leia-se homem e honra), confesso que felizmente hoje não é tanto assim. E digo felizmente, porque deixámos para trás o tempo dos falsos moralismos, em que se abdicava de uma possível felicidade com outra pessoa por causa de valores sociais, compromissos financeiros e familiares. Falsos moralismos – ainda hoje os há – em que por detrás de uma família aparentemente feliz estão brechas muito complicadas de resolver, nomeadamente infidelidades, filhos bastardos, humilhações e outros tantos problemas.
Nesses tempos a arte em questão não seria na maior parte das vezes a do amor mas sim a do teatro. Não há falta de mérito nessas artes. Há falta de felicidade, com toda a certeza.
Para que os relacionamentos durem e não se desvaneçam, não é apenas o factor da força de vontade que está em causa. Não é apenas pela força de vontade que os casamentos duraram uma vida inteira. Foi na grande maioria por um enorme poder de sacrifício e subjugação por uma das partes.
Há naturalmente quem lute imenso pelos seus relacionamentos, aqueles que valem a pena. Actualmente, já não se mantém relacionamentos – pelo menos frequentemente – pelos outros. As pessoas pensam mais em si e no seu bem-estar. Isso não tem de ser necessariamente um problema. Basta que haja bom senso para conciliar vontades. E com toda a certeza será mais positivo estar com alguém que esteja bem consigo que o contrário.
Sou da opinião popular de que basta aparecer a pessoa certa e depois o amor floresce facilmente. Porque realmente é assim. A grande e complicada questão está em manter o amor. É a eterna premissa: o difícil não é chegar ao topo, o difícil é mantermo-nos lá. E é realmente complicada a vida a dois com todos os individualismos que a compõem.
Depois há a outra vertente. A mais obscura e a que dá o sal.
É que a arte tem improviso, inspiração. A boa arte tem isso e técnica, estudo e disciplina.
O Amor é sentimento. É um estado de espírito que mexe com hormonas e que não está cientificamente explicado. Não é exacto, previsível. Surge inexplicavelmente. Para o manter é preciso essencialmente sensibilidade e paciência. Mas nem assim, com as regras descritas da disciplina, concentração há garantias de durabilidade eterna. Isso é utopia. É preferível que “seja eterno enquanto dure”!
O.L.

Segunda-feira, Março 20, 2006

A arte de amar (II)

Este post será uma descrição do capítulo “A Prática do Amor”, do livro “A Arte de Amar” de Erich Fromm. Como foi dito anteriormente, o autor parte da premissa que o amor é uma arte. Um pintor não pode confiar que um dia aparecerá o objecto certo e, como que por magia e sem aprender qualquer técnica, ele irá produzir as mais belas obras de arte. Da mesma forma, contrariando a opinião popular, não basta aparecer a pessoa certa e depois o amor floresce sem qualquer dificuldade. Como uma arte que é, o amor necessita de alguns pré-requisitos. Para qualquer arte é necessário disciplina, concentração e paciência. Mais tarde, salienta Fromm, há que ter uma “preocupação suprema” para atingir a mestria na arte.

A disciplina está presente no trabalho mas, por a pessoa estar a correr atrás de objectivos que não são os seus, fora do trabalho a disciplina é evitada a todo o custo, e olhada com toda a desconfiança. Fromm não aconselha a austeridade extrema do passado mas acha aconselhável algum rumo na vida para haver disciplina, no que concerne a horas de acordar, tomar refeições, beber e comer moderadamente, não abusar de actividades de evasão, etc. De início, ganhar alguma disciplina custa mas não deve ser encarada como uma virtude por ser um sacrifício. A verdadeira disciplina só terá sentido quando se tornar agradável e não algo imposto do exterior.

A concentração tem a ver com a capacidade de estar sozinho. Ao contrário do que se julga, é algo importante no relacionamento com outras pessoas. Uma pessoa concentrada sabe ouvir. Aparentemente, esta atenção provoca cansaço e, como tal, é evitada. Contudo, a prática mostra o oposto. A desatenção é que provoca cansaço ao longo do dia e, à noite, dificuldade em adormecer. Através da concentração atinge-se uma maior “sensibilidade de si”, especialmente em relação a processos mentais, e perceber a causa de estados de irritação, desânimo e ansiedade. A concentração deverá ser praticada em todos os actos da vida, não apenas durante a prática da arte, mas alguns exercícios simples adaptados da meditação, alguns minutos por dia, podem ajudar.

Especificamente sobre o amor, Fromm acha que é necessário ultrapassar o narcisismo. O ego comporta-se como se toda a envolvente fosse um teatro para si mesmo. Apesar de racionalmente sabermos que não é assim, em termos emocionais o nosso comportamento é bastante influenciado por este narcisismo. Para ultrapassar isto é necessário ganhar objectividade, através do uso da razão e da humildade.

O autor refere ainda a necessidade de ter fé. Aqui a fé não é entendida como uma crença irracional, mas antes como ter fortes convicções baseadas na experiência do pensamento e do afecto. Para ter fé é preciso coragem, para não ver as dificuldades como injustiças que não deviam ter acontecido mas oportunidades que nos fortalecem, se ultrapassadas. Coragem também porque o amor implica um entrega sem reservas. Esta entrega é difícil porque, segundo Fromm, apesar de a nível consciente o medo é em não ser amado, inconscientemente o medo está em amar. É útil perceber nos pequenos pormenores da vida quando se perde a fé, fruto de traições que induzem comportamentos cobardes e depois justificações para as atitudes cobardes, e quebrar este círculo que se autoalimentada.

Subjacente à prática do amor está o conceito de actividade interna, que para Fromm é «o uso produtivo dos poderes de cada um.» É realçado que não se pode esperar ser produtivo no amor quando no restante se tem um rendimento débil. A actividade interior pressupõe um alerta constante e evitar a preguiça interior, que se caracteriza na perda de tempo, falta de receptividade e egoísmo.

Mas Fromm salienta que a prática do amor começa depois das palavras do livro, que não é um mero receituário com sucesso garantido.

MC

Sexta-feira, Março 10, 2006

A arte de amar (I)

É um título de um livro, mas não se pense que se trata do género cor-de-rosa, cheio de receitas fáceis, rápidas e com garantia de satisfação. Escrito por Erich Fromm, na década de 50 do século XX, em Portugal lançado pela editora Pergaminho, mantém quase toda a actualidade. Excepto na parte da crítica social, eivada de um marxismo ingénuo, o livro tem uma pertinência quase total. Não que o autor acerte de “cabo a rabo”, mas toda a argumentação tem uma profundidade que não se consegue desmontar com duas penadas. Não é apenas abordado o amor erótico mas também o amor fraterno, materno, paterno e religioso.

Para Fromm, o verdadeiro amor não se deve confundir com experiências de intimidade súbita, por vezes chamadas de paixão. Raramente são experiências profundas e por isso terminam tão rapidamente como começaram. O seu carácter intenso, especialmente quando culminado com a experiência sexual, é prova de solidão anterior e não de existência de amor. O verdadeiro amor necessita de uma personalidade amadurecida, não se trata de um refúgio que isola o casal do mundo (egoísmo a dois), mas sim uma experiência de crescimento conjunta que não exclui, forçosamente, o confronto. Para o autor, a maior parte dos “conflitos” são destrutivos porque são tentativas de evitar os verdadeiros conflitos. Não passam de discussões circulares sobre assuntos menores, que nada esclarecem. Os verdadeiros conflitos produzem renovação, não são destrutivos porque esclarecem questões importantes. Em geral, a prova de um amor verdadeiro não é um mar de rosas mas um relacionamento vivido a partir do centro da experiência interior. Nesse caso, harmonia ou conflito, alegria e tristeza passam a ser irrelevantes, porque ambos fazem irremediavelmente parte da vida.

Mas Fromm não fala da arte de amar inocentemente. Ao contrário da opinião popular, que diz que o amor é um sentimento que se tem a sorte de viver se for encontrada a pessoa certa, para o autor o amor é uma arte. E uma arte necessita de transpiração, aprendizagem, de maturidade e viver a partir do centro da sua própria existência, que é uma outra forma de dizer não-alienado. Fromm acha que se avalia hoje em dia muito ligeiramente os casamentos do passado. Um casamento por conveniência, em que se espera que o amor venha mais tarde, parece algo sem qualquer cabimento. A promessa do amor eterno era levada mais a sério e prometia-se para além do sentimento, como prova de carácter e de vontade. Hoje em dia caiu-se noutro extremo, as promessas são vãs e deposita-se tudo num sentimento que naturalmente altera-se e tem flutuações. Os relacionamentos desfazem-se facilmente porque não é dada importância à força da vontade.

O autor fala ainda em várias formas de desintegração do amor. Mostra-se negativo ao dizer que actualmente o amor verdadeiro é raro, tendo sido substituído por várias formas de “amor neurótico”. O amor neurótico pode resultar de um grande apegamento à figura do amor maternal ou paternal. No primeiro caso o indivíduo preocupa-se sobretudo em ser amado e não em amar. Deseja um amor incondicional em todas as circunstâncias e fica desapontado quando tal não acontece. O apegamento à figura do amor paternal, por seu lado, tenta obter sempre a aprovação de alguém. O indivíduo pode também tornar-se extremamente paternalista. Outra forma de amor neurótico é o “amor romântico”, vulgar naqueles que consomem filmes, canções e livros cor-de-rosa. Comovem-se com a estórias que estão a ver no cinema mas na vida real ficam paralisados, ou seja, só conseguem viver o amor quando este não é real. Muito utilizados são também os mecanismos de projecção, onde o casal passa o tempo a ver no outro as suas próprias falhas, inviabilizando dessa forma qualquer possibilidade de melhoria, indispensável no amor. Uma forma especialmente curiosa do amor neurótico é baseada na abstracção temporal. Nesta situação, o casal recorda constantemente as experiências emocionantes do passado e faz planos grandiosos para o futuro, mas no presente reina o desinteresse e a apatia.

Em outro post será abordado o capítulo sobre a prática do amor.
MC

Quinta-feira, Março 02, 2006

Violência para que te quero?

Sem dúvida que são os homens que mais uso fazem da violência física doméstica. É curioso que o contrário, até recentemente, parecia tão inconcebível que provocava reacções insólitas. Já ouvi vários relatos de homens que, literalmente, fartavam-se de apanhar porrada das mulheres, e a vizinhança via tudo aquilo com divertimento. Em muitos destes casos, o evento era público, acontecia na rua à frente de todos, como se não fosse uma situação de violência mas uma prova de vigor feminino. Mas são excepções e em geral a violência física ocorre ao contrário e não à frente de todos. Contudo, a não ser que ocorra num monte alentejano sem ninguém à volta, os vizinhos só muito dificilmente deixam de se aperceber destas situações. Segundo creio, a violência doméstica é actualmente um crime público e pode ser denunciada por qualquer um, não apenas pela vítima. Por isso, quem não denuncia é também conivente. E se não quiser meter a colher entre marido e mulher, sempre pode alegar que o casal viola a legislação sobre o ruído.
Não me adiantarei sobre mais explicações sobre o caso porque acho que a Olga já expôs a situação nos termos devidos. Vou apenas pegar numa ponta solta, sobre a violência psicológica. Claro que a violência física tem sempre uma componente psicológica, mas refiro-me apenas à violência que não tem componente física. Sem ter estatísticas à mão, penso que se trata de um tipo de violência bem frequente e, parece-me, mais praticada pelo género feminino sobre o masculino. Se as mulheres são por norma, mais fracas fisicamente, os homens perdem em termos de poder argumentativo para estas. Não que os argumentos femininos sejam sempre racionais, longe disso, mas existem em abundância, aos quais o homem raramente consegue aguentar sem abandonar o barco. Muitos homens que saem cedo de casa e a esta voltam a tarde a más horas, fazem-no por medo de enfrentar uma mulher com a qual não sabem lidar. Não dizem que sofrem de violência doméstica, têm vergonha. E ninguém os quereria compreender mesmo.
MC

Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006

Violência

É mais um dia, mas não quero deixar em branco o dia da Violência Doméstica.
Os números divulgados referem um aumento significativo de queixas a instituições de apoio às vítimas. Lamento apenas que as queixas não se reflictam em denúncias formais nas instituições policiais competentes.
Não é certamente fácil à vítima de violência doméstica assumir para si que a pessoa com quem vive é, afinal, um monstro, porque pior que a realidade em si é a queda das expectativas criadas em volta dos factos/acontecimentos da vida.
Na violência doméstica há factores sociais distintos a verificar. Nas classes menos favorecidas a violência é, sobretudo, física. Nos extractos mais elevados o tipo de violência existente é mais requintada, psicológica. Este é um tipo de violência de difícil comprovação policial ao contrário dos danos físicos/corporais. Mas muitas vezes, na maioria devido a carências económicas, pelos filhos, por uma esperança infundada de reabilitação do parceiro/a, por medo, desconhecimento do sistema, não são apresentadas queixas.
Mais ou menos ricas, as vítimas têm em comum o medo. As motivações diferem mas o sentimento/sensação de estarem num beco sem saída é-lhes comum.
É mais que público que na maioria dos casos o elemento violento é do sexo masculino, mas curiosamente, há uma tendência crescente para o inverso. Ou pelo menos, os homens mal tratados já não se inibem de apresentar queixa.
O que está na base dos maus tratos, sejam praticados por elementos femininos e/ou masculinos é-me totalmente desconhecido. Pura e simplesmente não consigo encaixar uma justificação plausível porque não a há.
Quem é violento para quem supostamente “ama” é fraco. Inseguro. Mau.
São pessoas que não conseguem enfrentar devidamente os problemas e vingam as suas frustrações da pior maneira e com quem menos devem, seja a mulher/marido ou filhos.
Impressiona, também, que em tempos de crise económica os números disparam. Em “casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão” é um ditado que se pode adequar. Não se pode justificar.
Às mulheres, sobretudo, confesso humildemente, porque nunca vivi numa situação destas, que não entendo porque não se revoltam contra o estado em que vivem. Se são fortes o suficiente para aguentarem anos e anos de sofrimento, seja psicológico ou físico, não terão ainda mais força para enfrentarem a vida e lutar por uma nova oportunidade?
A felicidade, o sorriso, a paz consegue-se através da luta. Afinal a vida é uma conquista. E já que cá estamos devemos lutar para que seja boa para nós.
Todos o merecemos!

O.L.

Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006

Os homens adooooram ajudar! :)

Há coisas que me irritam profundamente nos homens. A mim e garantidamente há maioria das mulheres.
E hoje, fiquei irritada. Dois motivos:
1. O meu carro resolveu não andar. (Já sei porquê e vai ficar arranjado, não se preocupem).
2. O ar paternalista que o homem faz quando vem ajudar.
Estava a tentar empurrar o carro para o estacionar sem incomodar o trânsito e vem logo um senhor cavalheiro, com um certo ar de gozo perguntar se quero ajuda.
Isto, às 08H30 da manhã, a chover e com aquela pergunda idiota fez o meu dia, praticamente.
Sorri apenas e claro veio ajudar.
E depois de empurrar um pouco disse:
- Olhe que o carro está engatado.
- Não, não está, respondi.
- Olhe que está.
Dei o meu melhor ar de desprezo e voltei a dizer não.
Ele deu o seu melhor ar de gozo e disse para eu verificar.
E não é que estava?!
Irrita-me solenemente estas coisas. Não porque o senhor tivesse razão, mas pelo ar que fazem quando calham a ter razão.
Não é pelo facto de ajudarem. É pelo ar que fazem, quase que inconscientemente, de que se não existessem pobres de nós, nunca mais dali saíriamos. :) - Mas nós saímos sempre!!!
Os homens gostam de ver as mulheres assim numa situação em que precisam de ajuda. Adoram dar logo dicas sobre o que devemos ou nao fazer. Aproveitam qualquer ocasião para mostrar como realmente dominam determinados aspectos, sobretudo, no que toca às áreas de mecânica, electricidade, canalização, tunning's e outros aspectos "interessantes" da nossa existência.
O.L.

Terça-feira, Fevereiro 14, 2006

Dia das namoradas

É a conclusão que chego, que hoje não é dia dos namorados mas sim das namoradas. É para elas este dia, é para elas que se compram flores e se escrevem poemas. É para elas que os homens pensam em fazer algo diferente. E são elas que ficam chateadas se não tiverem um dia especial.
MC

Terça-feira, Fevereiro 07, 2006

Uma questão de dinheiro?

Até há poucos anos os casais eram, por norma, desequilibrados a favor do homem. Refiro-me sobretudo ao aspecto financeiro, porque em outras áreas a mulher poderia dominar. Dificilmente uma relação poderia resistir se a mulher atingisse um estatuto social claramente superior ao do homem. Nesse caso, a mulher iria tratar de encontrar um homem que lhe fosse superior. Não sugiro que eram apenas as mulheres que quisessem ser “dominadas”. Não, para os homens era também uma questão de orgulho serem o pilar financeiro da família.

Pensei nesta questão e, por momentos, ponderei se, ao invés de ser algo puramente cultural, não houvesse um factor genético aqui envolvido. Mas não cheguei a pensar muito porque me lembrei depois de inúmeros caso de casais mais novos. É muito frequente ver casos actuais em que a mulher é 5 ou 10 anos mais velha que o homem e tem um rendimento muito superior. Sendo situações relativamente recentes, ainda é cedo se tal configuração tem mais vantagens que desvantagens (e mesmo que tivessem só desvantagens cada um deve ser responsável pelas suas opções). Passamos de uma geração onde os homens se fingiam de fortes para outra onde as mulheres se fingem de homens?
MC

Resposta a uma dúvida

A utilização de serviços sexuais por profissionais é prática de homens de todas as classes. Melhor de homens de todas as condições monetárias mas que não tenham classe. O recurso à prostituição (que também se vai desenvolvendo no lado da procura feminina) é um tipo específico de infidelidade. Isto porque quase todos os homens que vão “às meninas” são casados. Quem recorre à prostituição, como cliente, dificilmente poderá alegar que foi algo impensado, fruto das circunstâncias. Trata-se de uma acção premeditada, diria mesmo que estudada. Mais que isso, trata-se de alguém que tem uma baixa auto-estima, que não se importa de procurar prazer com quem não o terá.
Por isso, dizer que os homens facilmente recorrem a serviços de profissionais sexuais é altamente abusivo. Mesmo admitindo que a maioria dos homens (e acredito também das mulheres) possa ser infiel em determinadas circunstâncias, apenas uma pequena parte o faria com prostitutas. Penso mesmo que à maioria dos homens essa é uma hipótese que lhe causa imensa repugnância. Quem conviver com muitos homens que recorram a tais serviços é melhor pensar duas vezes e mudar de companhias. Com exemplos assim toda a realidade fica distorcida.
MC

Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006

Dúvida exclusivamente feminina

Porque é que os homens recorrem tão facilmente aos serviços sexuais de profissionais do ramo??
O.L.

Segunda-feira, Janeiro 30, 2006

Orgulho e preconceito

Pude ver este fim-de-semana o filme que consta no título do post. Se é que há uma lição a tirar do filme é que as primeiras impressões pouco valem. E também que o orgulho não permite desfazer o preconceito. Formalmente o filme conta a estória de uma família cuja maior preocupação é arranjar casamento para as suas 5 filhas. Uma mãe esquizofrénica utiliza a constante vitimização para tentar impor as suas vontades. As duas irmãs mais velhas chamam a atenção. Belas mas não prendadas o suficiente aos olhos de alguns. Contudo, o fulcro da trama é o relacionamento entre a segunda filha mais velha, idealista e orgulhosa, e Mr. Darcy, aos olhos de todos um ricaço de uma arrogância extrema. Aos poucos vamos descobrindo que a arrogância não passa de timidez. O abdicar o orgulho permite desfazer o preconceito e obter um final feliz.

Em relação aos aspectos sociais penso que há alguma confusão, não no filme mas em relação às ideias dominantes. O próprio filme dá uma pista. Os casamentos por conveniência não aconteciam propriamente em oposição ao romantismo. Eram sobretudo uma forma pragmática de ultrapassar dificuldades. A mulher ser obrigada a tocar piano, falar francês e tudo mais não era panaceia geral. Era, pelo contrário, a excepção de quem tinha esperanças em permanecer ou aceder à aristocracia mais elevada. A esmagadora maioria das pessoas era analfabeta. Exigir virtudes a homens e mulheres era mais uma forma da elite dos poderosos ficar limitada e não permitir veleidades às classes inferiores. Não se tratava propriamente de uma questão de valores mas sim de colocar obstáculos. No filme percebemos que essa mesma elite, apesar de invejada, era também ridicularizada.

MC

Terça-feira, Janeiro 24, 2006

Pedras ao charco

Fui ao cinema ver o filme “Orgulho e Preconceito” e adorei o retrato da época. À partida e numa primeira análise a mulher é descrita como um ser absolutamente fútil e com uma existência muito pouco ambiciosa.
Nós, mulheres desta época ao ver uma caracterização daquelas, do alto da nossa liberdade achamos quase absurda uma existência cujo fim é um bom casamento. E um bom casamento não significava casar com alguém bom de quem se gostasse. Um bom matrimónio significava casar com alguém que financeiramente garantisse a estabilidade e nível de vida da noiva e da sua família.
Os papéis estavam extremamente bem definidos e se por um lado isso simplificava muito a vida, creio que não deveria ser nada fácil ser-se mulher naqueles tempos.
As pressões sociais existiam e eram sentidas de uma forma bem mais rude e dura do que actualmente. E não creio que poderemos olhar de uma forma leviana para as “futilidades” femininas daqueles anos.
A mulher à nascença tinha o seu destino traçado. Iria casar-se.
A pressão social e familiar para se encontrar um bom partido era uma coisa de arrepiar. Eram obrigatórios vários atributos: beleza, modéstia, saber tocar piano, saber falar francês, saber bordar, pintar, dançar e saber cuidar, naturalmente, da lida da casa.
A partir de uma determinada idade se a rapariga não encontrasse par entraria com certeza em estado de depressão profunda. A doença é do nosso século, mas as motivações e sintomas já existem há muitos anos! :)
Os pais tratavam de encontrar alguém pois ter uma filha sem marido era uma desonra para a família. E mais, as acções de todos os membros familiares eram tidas em conta. Todos tinham responsabilidades pelo bom nome da família. Se uma irmã fugisse com alguém sem casar toda a família ficava desonrada e as probabilidades das outras irmãs casarem ficavam quase arruinadas.
Portanto, havia pressão sim senhor. Não era nada simples viver em tempos em que a nossa vontade (feminina) não tinha valor algum.
No entanto, chegarmos aos dias de hoje com as nossas liberdades e possibilidades de vida, devem-se a muitas mulheres e homens que aos poucos foram minando algumas regras severas.
Admiro imenso as mulheres que lutaram por uma mudança de padrões. Não deve ter sido fácil e devem ter sido pessoas fascinantes.
Preconceitos e orgulhos absurdos existirão sempre em todas as épocas e eras. Também os temos cá e agora. Felizmente que haverá sempre gente disposta a mandar pedras ao charco!
No entanto, e não querendo abdicar de todo da liberdade até hoje alcançada, quando vejo que Portugal é o 2.º país da Europa com mais adolescentes grávidas, pergunto-me se não seria importante voltar a definir alguns valores morais mais rigidos.
É que não se trata de falta de informação ou de acesso a meios de prevenção. Se calhar, o banalizar das relações permite que estas situações se tornem como que normais. Excesso de romantismo é mau mas a sua perca total também não será o mais correcto.
Não é fácil encontrar no caminho, a linha do meio-termo, mas se calhar, enquanto não se encontra será preferível optar pela rigidez.
A banalização nunca foi nem será um bom caminho.
É importante mandar as pedras para o charco mas pelas acções e valores correctos.
O.L.

Terça-feira, Janeiro 17, 2006

O que muda são as motivações e isso faz toda a diferença

Folgo em saber que neste mundo há pelo menos uma pessoa que nunca na vida se deixou levar de forma menos séria por se sentir ou carente ou mais sozinho ou mais susceptível emocionalmente.
Essa pessoa é o meu respeitável parceiro de escrita neste blog que diz esta coisa extraordinária que é “quem cai nessas patranhas nem merece ser levado a sério”, referindo-se a pessoas que se deixam iludir nos encontros da net.
Deixe-me que lhe diga - com o respeito que me merece – que está totalmente equivocado. No que toca a sentimentos e a relacionamentos emocionais tem ainda algumas coisas a aprender. Até porque as pessoas podem deixar-se iludir, seja na net ou não, por uma conversa ou por acções mais bonitas que escondem um fim muito pouco benemérito. E qualquer pessoa pode cair, basta para isso, estar mais envolvida emocionalmente que a outra. Basta simplesmente estar a ser honesta no relacionamento e a outra nem tanto.

Não digo que a net não possa ser útil a milhares de solitários (homens e mulheres) que encontram ali uma forma despreocupada e simples de compartilhar problemas e sentimentos com alguém que não conhecem. O anonimato, à partida garantido, possibilita honestidade e acredito que muitas vezes há um relacionamento mais profundo com alguém que não se conhece fisicamente do que com o amigo de há anos. O facto de não haver olhos nos olhos facilita muito.
Acredito que exista como em tudo na vida seriedade nalguns casos. Pouca ou nenhuma honestidade noutros.
O que falei no post anterior é da facilidade com que muitas mulheres se deixam levar em conversas vazias, que quem é minimamente racional e pés na terra, se apercebe que são uma falácia, que não darão em nada com conteúdo.
E há muitas mulheres porque estão psicologicamente mais em baixo - por variados motivos - que se deixam levar. Nem todos somos fortes. Nem todos vemos as coisas preto ou branco.
Quando se passeia pelo mundo da net o que mais há são pessoas há procura de engates.
Na maioria homens, na maioria casados que ficam até largas horas da noite à procura de animação com as esposas deitadas na cama a dormir.
Há muitos homens à caça de mulheres, sim senhor!
Não digo que todas as mulheres são ingénuas. Digo apenas que estão muitas vezes numa situação mais susceptível de serem ludibriadas. Merecem ser levadas a sério, alertadas e protegidas. Quem não merece qualquer tipo de apoio são os homens que se apercebem disso e, ainda assim, avançam apenas por uma questão de ego e para poderem ter histórias para contar aos amigos no café.
Mais, até posso conceder – embora não acredite – que as mulheres têm mais iniciativa que os homens para os convites a um encontro. A diferença é que normalmente são mulheres sós, sem compromissos e satisfações a dar a quem quer que seja. E vão para esses encontros com uma perspectiva não de encontro casual mas numa tentativa honesta de, pelo menos, iniciarem um relacionamento, mais que não seja de amizade. Com os homens isso já não se passa. Na grande maioria vão à procura de uma "jeitosa" que dê para dar umas voltas.
Esta é a grande diferença. As motivações são totalmente opostas.
Quanto a serem mais cautelosos... Considero a anedota do post! :) E confesso que me fez rir.

O.L.



Segunda-feira, Janeiro 09, 2006

Preconceito Virtual

Este tema é-me difícil de abordar porque terei de evitar entrar em campos pessoais, que envolvem outras pessoas que não deverão ver exposta, mesmo que ao de leve, a sua vida aqui.

Penso que existe um preconceito em relação a relacionamentos que começam por meios virtuais. Estes preconceitos, do meu ponto de vista, devem-se a duas razões. Por um lado, é um certo temor da novidade e recear que ela nos leve a um caminho perigoso. Mas depois há toda uma gama de raciocínios que estão dominados por falácias. Vou analisar duas dessas falácias.

A falácia de confundir a árvore com a floresta, faz com que o conhecimento de alguns casos isolados seja entendido como a norma. Se uma amiga foi assediada por um tarado, a conclusão é que todos os homens que se encontrem da mesma forma serão tarados. Outra falácia, mais subtil, tem a ver comparações que não são lógicas de se fazerem, o que leva a ter uma ideia deturpada da situação. Uma relação começou pela net e terminou mal. Conclusão: terminou mal porque se conhecerem pela net. Quem tira esta conclusão faz uma comparação entre um acontecimento real e um mundo perfeito (mesmo que o faça implicitamente). Mas o desenlace normal de uma relação é o seu término a mal, quer o encontro se tenha dado pela net, na escola, no trabalho, na discoteca, num jardim público ou dentro de um grupo de amigos.

Posto isto, não quero fazer passar a ideia que um encontro propiciado pelos meios virtuais não tenha as suas vicissitudes, os seus perigos e também as suas vantagens. Se duas pessoas se conhecerem numa discoteca, tal é muito diferente de conhecerem-se na escola ou no local de trabalho. Na escola ou no trabalho há já uma convivência diária entre ambos, um conhecimento mútuo alargado quando decidem avançar para algo mais íntimo. Se o fizerem numa discoteca, será um pouco uma roleta russa e tudo pode acontecer.

Mas se tomarem conhecimento pela net não há, ainda, um quadro institucional para os comportamentos. Como iniciar conversa? Quais os assuntos a abordar inicialmente? A princípio, os assuntos devem ser neutros ou meter logo a vida pessoal? Como mostrar interesse (ou desinteresse) pela outra pessoa? Como evitar mal entendidos? Quando mostrar fotos? É seguro dar dados pessoais, a morada, local de trabalho, contacto telefónico? Mesmo sentindo um grande interesse pela pessoa, terá sentido fazer conversas mais íntimas sem um contacto pessoal? Como perceber se a outra pessoa é de confiança? A outra pessoa tem um discurso coerente, mostra-se equilibrada, é espontânea e desperta uma confiança instintiva? Ou, pelo contrário, tem um discurso que parece se adaptar apenas àquilo que “queremos” ouvir? Quando marcar um encontro? Que cuidados se devem tomar?

Todas estas questões (e outras poderiam ser adicionadas) não mostram que um encontro pela net é complexo. Mostram sim que a natureza humana é complexa. Acontece que numa conversa pela net muito rapidamente se podem fazer confidências e abrir a alma, o que acelera tudo um pouco. E isso leva muitos a iludirem-se facilmente, porque querem que a pessoa do outro lado seja perfeita. Mas quem se ilude pela net é porque já era antes um iludido. Eu arriscaria a dizer que, com alguma perspicácia, uma conversa pela net pode ser muito mais esclarecedora que uma conversa “real” para desfazer algumas ilusões. Apesar disso, nada substitui o contacto directo que, a partir de determinada altura se torna essencial ou então a relação virtual termina.

Para terminar, introduzo alguma polémica. Não posso concordar que a regra seja os homens andarem pela net à caça de mulheres ingénuas. Tal não passa de vitimização irresponsável. Claro que casos desses acontecem, mas quem cai nessas patranhas nem merece ser levado a sério. A minha percepção de uma conversa típica entre pessoas civilizadas e que sentem algum interesse mútuo é outra. Em geral há uma grande igualdade e, na esmagadora maioria das situações, é a mulher que toma a iniciativa de marcar um encontro. Nos dias que correm, as mulheres têm muito mais iniciativa que os homens, que costumam ser mais cautelosos.

MC

Sexta-feira, Janeiro 06, 2006

Carência Feminina


Tocam-me à porta. São cerca das 22H30. É uma amiga de longa data. Divorciada com a filha. A criança vai ver o canal Panda enquanto em total estado de alucinação a mãe conta-me as novidades do seu dia. Tão extraordinárias que a fazem apanhar frio para me ir contar pessoalmente. :)
Abreviando a história, houve uma troca de mensagens pelo msn, troca de números de telefones e o dia termina com mensagens carinhosas e convite para tomar um café ou um copo nalgum lado.
A história deve ser comum a mais de metade da população portuguesa porque com as novas tecnologias o mais difícil é este tipo de coisas não acontecerem.
O que eu pensava enquanto me contava a história de olhos brilhantes é a que ponto a carência feminina faz as mulheres parecerem umas crianças do mais inocente que pode existir ao cimo do mundo.
E até que ponto o homem não se apercebe destes sinais para alimentar o seu ego e desejo de uma aventura que não dará em nada? É claro que se apercebem e é claro que se alimentam disso para o seu próprio bem estar ignorando completamente como a mulher irá ficar e que proporções a sua atitude poderá gerar.
Por outro lado, como é possível que uma mulher deixe que um desconhecido, com uma conversa completamente absurda e nitidamente mentirosa, à partida, possa entrar assim tanto no seu mundo ao ponto de se sentir mais leve? Como se fazem facilmente castelos nas nuvens?
Embora a sorrir e com a perfeita consciência de que vai dar com os burros na água, lá ouvi e não me achei no direito de a fazer descer à terra. Afinal, também há histórias com final feliz ainda que com começos muito problemáticos. Aconselhei prudência e calma.
Nesta coisa da carência feminina confesso que me faz muita confusão ser-se levado por uma mão cheia de nadas.
Mas no fundo qual será a atitude mais correcta a tomar. Será mais feliz a mulher que não dá qualquer hipótese de viver algo diferente, mantendo-se à parte da possibilidade do “quem arrisca não petisca”? Ou pelo contrário aquela que dá sempre uma hipótese ao desconhecido, mesmo sabendo que as possibilidades de algo dar certo serem abaixo do 0,5%?
Ao fim ao cabo não será preferível um estado de euforia momentânea a um eterno desconfiar das possibilidades que o destino oferece?
O.L.

Segunda-feira, Dezembro 26, 2005

O sexo dos assuntos

Talvez tenha chegado o momento de questionar o sexo dos assuntos. Mulheres a falar de criancinhas e roupa e homens a falar de futebol e política. Muito bem e qual é o problema? Quanto a mim o problema está mais na falta de partilha e no desinteresse pelos assuntos do outro sexo. Claro que um homem nunca terá paciência para falar horas sobre roupa, os saldos, as lojas, de ínfimos pormenores numa camisa e essas coisas. Da mesma forma, uma mulher nunca poderá falar de futebol com o mesmo pormenor que os homens o fazem, com os prognósticos dos convocados para o próximo jogo, a quantos pontos está a Académica do líder, quem é o melhor ala direita do campeonato, etc.
Quanto a mim é perfeitamente possível um homem e uma mulher falarem sobre estes temas se o fizerem de forma inteligente. Um homem consegue falar de roupa, porque também tem sentido estético e claro que se pode interessar por crianças. O problema será quando a mulher complica o assunto e se entusiasma a falar de pormenores que o homem considera irrelevantes. Da mesma forma uma mulher pode e deve saber falar sobre política. Penso que o que chateia muitas mulheres é uma atitude quizilenta e de busca de confronto que muitos homens colocam quando falam de política. As mulheres não vêem aí qualquer substância e desinteressam-se. E mesmo uma mulher poderá mostrar algum interesse pelo futebol desde que o homem não se entusiasme com minudências que a aborrecem.

No fundo, é uma questão de atenção. Porque nem todos os homens gostam de falar sobre futebol e nem todas as mulheres gostam de fazer compras nos saldos. Para cada pessoa com quem interagimos devemos perceber quais os seus interesses e quando alguma matéria pode causar mau estar ou desinteresse. Não há nenhuma razão para que num relacionamento se faça de forma diferente.
MC

Quarta-feira, Dezembro 14, 2005

Gestão dos silêncios

O silêncio pode ser sinónimo de conciliação, intimidade, cumplicidade mas pode também ser um monstro que nos deixa constrangidos, embaraçados, nervosos, até.
Todos já passámos por aqueles momentos em que ficamos a sós com uma série de gente que não conhecemos bem, não nos dizem nada e, sem querer, estamos todos a olhar uns para os outros, a sorrir até que alguém se lembra de falar do frio ou do calor ou da chuva dos últimos dias.
Este tipo de silêncio constrangedor quando existe entre casais creio que será indício de pouca envolvência emocional entre as partes.
Não é fácil criar-se um à vontade tão grande com alguém cujos momentos de silêncio signifiquem descoberta e carinho.
Não se trata de medo de avaliação. Trata-se de falta de intimidade.
Os homens são por norma mais calados. Talvez menos interessantes porque são incapazes de falar de muito mais coisas além do futebol e política.
As mulheres são mais faladoras e fúteis. São capazes de passar horas a falar de roupa e dos filhos.
Confesso que se tivesse uma mulher cuja conversa se baseasse nisto morreria de tédio e iria optar por, também eu, ficar calada.
Se tivesse um companheiro que apenas soubesse falar das derrotas do Benfica e do discurso de Cavaco Silva, provavelmente, também passaria o dia a falar de roupa e dos filhos.
No fundo, estes ruídos ou falta deles acontecem quando não há pontos em comum, quando o desgaste é mais que muito, e a cumplicidade acabou por se perder algures entre a educação das crianças e a monotonia do dia-a-dia. E aí sim, o silêncio de observação que o homem faz pode gerar insegurança na mulher, provavelmente, porque há muito tempo que não lhe diz o quão bonita ainda é.
Quando os silêncios femininos são extensos e se mantêm por muitos dias é realmente sinal de alarme. Algo de menos bom se está a passar, mas de resto é a mesma coisa no que diz respeito aos homens. Se de repente surgem com um ar resplandecente, conversadores e até algo atenciosos é porque também algo lhes aconteceu. E se calhar também a mulher terá de se preocupar.
O.L.

Segunda-feira, Dezembro 05, 2005

Silêncio

Após um período de inactividade neste blog, achei apropriado falar sobre o silêncio. No silêncio podemos encontrar muitas coisas, se a isso estivermos dispostos. Chamo a este o silêncio activo, onde estamos receptivos e observamos sem julgar. Sem este silêncio é impossível contemplar devidamente a beleza das coisas, submergida pelo nosso próprio ruído. Ao silêncio associamos as coisas mais profundas, os rituais, a melancolia, o êxtase. Uma das formas de fazer a distinção entre a música ligeira e a mais profunda é precisamente o uso criterioso que esta última faz dos silêncios, conhecidos como pausas. A música ligeira, nas suas mais variadas formas, evidencia-se por não dar espaço ao silêncio, como se quisesse evitar momentos de real atenção. Por isso esta música distrai, é terapêutica, enquanto a música mais profunda irrita muitos, porque lhes pede um contacto mais directo com a realidade que eles querem evitar.

Mas o silêncio também pode significar niilismo, estagnação e enfado. A mulher raramente percebe os silêncios do homem. Não quer perceber quando o silêncio do homem quer dizer desinteresse, até enfado. Já o homem fica sempre sensibilidade para o silêncio da mulher, porque ela prefere reagir com ruído e se o faz com silêncio é porque algo de grave se passa. A mulher também tem dificuldades em perceber quando o silêncio do homem é sinal de contemplação, ficando desconfortável porque, erradamente, pensa estar a ser julgada.
MC

Sexta-feira, Novembro 25, 2005

O meu presente de Natal para o ego das mulheres

Aos senhores que acusam e apontam o dedo de que as mulheres só gostam de compras tenho a informar que este "nosso" gosto vos ajuda e, em muito. Se assim não fosse, o frigorifíco estaria sempre vazio. A casa era mobilada, no quarto, por um colchão, na cozinha, por um frigorifíco para pôr a cerveja, na sala, por uma televisão e um sofá para ver os canais desportivos e um outro canal que não vale a pena anunciar porque todos nós sabemos a que me refiro! :)
E tenho dito sobre este assunto.
E agora vou aqui deixar um testemunho da real importância feminina.
Não é da minha autoria mas bem que poderia ser! E como é tão verdadeiro e estamo numa altura de honestidade e amor, cá fica!! :)
"SOMOS PERFEITAS!!!

Não ficamos carecas...
Temos um dia internacional...
Sentar de pernas fechadas não doi...
Podemos usar tanto rosa quanto azul...
Sabemos sempre que o filho é nosso...
Temos prioridade nos barcos salva-vidas...
Não pagamos a conta. No máximo dividimos...
A programação da TV é 90% voltada para nós...
Somos os primeiros reféns a serem libertados...
A idade não atrapalha nosso desempenho sexual...
Podemos ir para o trabalho de bermudas e sandálias...
Se somos enganadas, somos vitimas; se enganamos, eles são cornos...
Podemos dormir com uma amiga sem sermos chamadas de lésbicas...
Somos capazes de prestar atenção a várias coisas ao mesmo tempo...
Mulher de embaixador é embaixatriz; marido de embaixadora não é nada...
Não nos desesperamos em frente a um campo de relva com 1 bola e 22 mulheres...
Somos monogâmicas (embora precisemos testar vários homens para achar um que valha a pena)
Mulher de presidente é Primeira-Dama; marido de presidenta é um zero à
esquerda, mesmo que ele seja de direita...
Nosso cérebro dá conta do mesmo serviço, mesmo com 4 bilhões de neurónios a menos, ou seja, nossos neurónios são mais eficientes.
Se resolvemos exercer profissões predominantemente masculinas, somos "pioneiras", mas se um homem resolve exercer uma profissão tipicamente feminina, é bicha...
E por último: Fazemos tudo o que um homem faz, e de SALTO ALTO!
SOMOS UM SHOW!!!!!!!"

O.L.

Quarta-feira, Novembro 23, 2005

O Natal é quando uma mulher quiser

Os temas neste blog têm ficado muito pesados. Ora o mundo é muito mais que traições e infidilidades. Como a época se aproxima, resolvi abordar o tema do Natal. Tenho para mim que o Natal é para três tipos de pessoas: Cristãos, crianças e mulheres. Cristãos por razões óbvias, que me escuso de mencionar. Para as crianças, tornou-se natural a partir da comercialização do Natal e desse marco histórico, realizado pela Coca Cola que foi a mudança da imagem do Pai Natal para uma bela vestimenta vermelha e branca.

Poderia presumir-se que esta comercialização se estendesse também aos adultos e em parte é verdade. Mas o que defendo é que no fulcro de tudo está a apetência feminina para as luzes de Natal (não se leve a frase à letra). Claro que homens adultos também podem dar e receber presentes mas fazem-no mais por obrigação do que por gosto. Talvez as mulheres não se apercebam mas os homens só oferecem presentes para o resto do inverno não ser tão frio. E quando os recebem, não estão realmente satisfeitos, apenas não querem fazer uma desfeita.

MC

Terça-feira, Novembro 22, 2005

Os trios

A mentira pode ter o seu lado romântico quando dita e mantida para alimentar uma determinada felicidade. Mas não deixa de ser uma mentira por muito justificada que seja.
Qualquer relacionamento ou triângulo amoroso que tenha por base algo de menos honesto, creio eu, que mais tarde ou mais cedo vai ruir. A base não é suficientemente forte. E é sempre a base que tem de o ser para conseguir suportar outras adversidades.
Realmente ver a “suposta” felicidade de cinco pessoas, tomando como exemplo o post anterior, baseado em omissões não é realmente romântico nem o contentamento que aparentemente é apresentado é real. Nunca o poderá ser.
É impossível conseguir-se estar bem num casamento tendo um caso fora dele. Não creio que se consiga dormir bem. E quando se está com o outro não creio que se possa estar de alma completa, porque está um marido/mulher lá em casa.
Por outro lado, uma mulher que omite a verdadeira identidade do pai ao marido não pode estar muito bem consigo própria e isso, mais tarde ou mais cedo, terá de vir ao de cimo. Aqui, a gravidade da situação é mais complicada porque há uma criança que tem todo o direito de saber quem é o seu verdadeiro pai e agir em conformidade com a realidade, seja ela qual for. Tudo o que envolver crianças deve ter um cuidado redobrado e este tipo de promiscuidade acho abominável.
Pior cego é aquele que não quer ver mas há sempre aquele dia que chega em que a verdade acaba por se intrometer e que é impossível negar evidências mesmo quando não as queremos encarar.
Em relação aos trios amorosos é realmente interessante ver que na maioria dos casos as pessoas ficam com quem as conheçe no seu lado mais monótono :), por assim dizer.
A relação mais fisica perde importância com o passar do tempo e acaba mais cedo ou mais tarde. Nestas situações as coisas podem resultar quando a coisa é mesmo séria e há mais do que sexo. Neste contexto a mulher e o homem são completamente diferentes.
As mulheres quando se envolvem com outra pessoa fazem-no, por norma, com um sentimento por trás, não é apenas a parte fisica que conta. Alimentam a situação porque gostam da pessoa e mantéem-na porque realmente em casa as coisas, por diversos motivos, não estão a resultar.
O homem é diferente. Fazem-no conseguindo distinguir muito facilmente o que é emocional e o que é fisico. Mas também creio que quando assumem que gostam da amante a sério, largam bem mais depressa o casamento do que a mulher.
O.L.

Quarta-feira, Novembro 16, 2005

Avaliação moral

A infidelidade acontece para os dois lados. Para o raciocínio em causa não interessa muito saber qual dos sexos é mais infiel. Quando a infidelidade gera uma terceira vida, temos uma nova situação. Supondo que é o homem o infiel, o que deverá fazer em relação à criança que nasce? Penso que o mais comum é haver uma desconfiança em relação à “amante”. Será ele mesmo o pai? Se aquela mulher não se importou em andar com um homem casado, porque razão ficaria inibida em andar com outros também? Esta linha de raciocínio serviu para muitos homens fugirem às suas responsabilidades. Até à vulgarização dos testes de ADN, era muito difícil fazer a verificação da paternidade.

Supondo agora ser a mulher a infiel. A criança nasce e a mitologia diz-nos que a mulher sabe sempre quem é o pai. A mulher consegue ser infiel com mais facilidade e, além disso, a maior parte dos homens são facilmente enganados e levados, inocentemente, a criar filhos que não são seus.

A minha questão é, qual das duas situações é eticamente mais reprovável? A do homem que abandona o seu hipotético filho ou a da mulher que engana o seu companheiro levando-o a pensar que tem filhos que poderão nem ser seus? Confesso que quando escrevi o post anterior considerei a 2ª hipótese mais reprovável, porque pensei sobretudo no marido enganado. Contudo, a situação é mais complexa. Assumo que estão 5 pessoas envolvidas, os 2 casais e a criança que nasce. Numa primeira aproximação, diria que as duas situações são igualmente reprováveis.

Paradoxalmente, a melhor alternativa pode ser manter a mentira, isto é, o casal em que o marido é infiel faz de conta que não existe criança alguma. O outro casal, assume que o filho foi concebido por ambos. Foi esta a solução que a sociedade nos forneceu, bem explícita no adágio “Pai é quem cria”. Porque razão digo que é a melhor? Vejamos a alternativa. Os dois casais separam-se devido à infidelidade. Os amantes que se juntam muito provavelmente nunca se irão entender porque a excitação que tinham em estar juntos derivava apenas do fruto proibido. Acabarão quase certamente por se separar.

Portanto, a solução “manter a mentira” leva à existência de 5 pessoas medianamente satisfeitas. A solução “verdade assumida” leva a que 5 pessoas sejam infelizes. A mentira e o embuste mostram-se superiores à verdade. Não é nada romântico, pois não?

MC

Dúvidas

Lendo com mais atenção a resposta avançada pelo co-responsável deste blog surgiu-me uma duvida. Por acaso nessa onda tão entusiamada de sugerir que as mulheres também são infiéis, afirma que são levianas porque criam os filhos com um homem que não é o pai?
Terei entendido bem?
Estará a querer afirmar que afinal após um casamento que não correu bem e onde há filhos quem ficar com as crianças já não pode ter direito a refazer a vida com outro/a?
Ou terá tentado dizer que é necessária uma maior responsabilidade quando há filhos pelo meio e que, nestas circunstâncias, por acaso até são as mulheres que não misturam de forma leviana e precipitada os filhos com outros relacionamentos.
Quero pensar que era isso.
Se tiver dúvidas aconselho o livro "Divórcios em Portugal". Um estudo sociológico com dados que se calhar o vão surpreender. :)

Terça-feira, Novembro 15, 2005

Crime e castigo

No mundo moderno está disponível suficiente informação para saber que as mulheres são tão infiéis como os homens. Com a agravante de muitíssimas mulheres não terem qualquer pudor em ter filhos de um homem a ser criados por outro. Por essa razão, em algumas culturas o regime de heranças é sempre feito por via feminina. O estereotipo da mulher em casa enquanto o marido está fora dando as “escapadelas” a seu belo prazer, é isso mesmo, um estereotipo, em grande parte criado por um mercado de comunicação social sempre ávido em explorar aquilo que de mais baixo há na alma humana.

Esta concepção de mulheres espertas, que consentem e não levantam ondas, e das inteligentes, que protestam, parece-me uma visão demasiado vitimizante das coisas. As espertas não protestam porque querem manter a relação a todo o custo ou porque simplesmente não têm razões para protestar? Tenho a ideia que a maior parte das “espertas” não sente lá grande afecto pelos seus companheiros e até lhes dá jeito que eles cheguem a casa satisfeitos. Desta forma, a probabilidade de serem incomodadas na cama é menor.

E também não consigo perceber o que é uma mulher “inteligente” neste contexto. Nem perceber a razão destas dúvidas:

“Como é que conseguimos sentir-nos melhor? Acompanhadas ainda que enganadas? Ou sós mas sem que nos tenham feito passar por burras?”

Mas que baixas expectativas, estas... Conceber apenas estas duas possibilidades não levará a nada de bom. Ainda com uma agravante, porque a mulher que tem tantas certezas que qualquer homem é infiel nem se apercebe que é ela mesma que inviabiliza logo a relação. Porque o homem fiel quando permanentemente acossado pelas dúvidas infundadas da companheira irá reagir, mais tarde ou mais cedo, de uma de duas formas. Ou será “inteligente” e não irá tolerar mais dúvidas sobre o seu carácter e porá termo à relação. Ou então, será “esperto” e dirá para si mesmo: “Já que tenho a fama, deixa-me ter o proveito.”
Para terminar, alguém que considera a fidelidade importante (aqui fidelidade é entendida como ter apenas aquela pessoa, apesar de eu achar que teria de ser muito mais que isso...), não pode ter dúvidas sobre como agir em caso de infidelidade provada. Simplesmente a relação terminou e a outra pessoa é como se tivesse morrido. Não pode haver lugar para duvidas sobre o que fazer para nos sentirmos melhor. O desprezo glaciar a que me refiro não é a melhor opção, é simplesmente a única atitude ética possível face aos valores que assumimos para nós.
MC

Mulheres: As espertas e as inteligentes.

Um marido vai passear o cão à noite e chega às 02H da manhã com a história de que o cão fugiu para ir atrás de uma cadela com cio, atravessou o parque de uma ponta à outra e ele coitado teve de andar às voltas à sua procura e está, por isso, estafado.
Uma de muitas desculpas que vai dando ao longo de semanas para escamotear uma relação extra conjugal.


Vi num programa de televisão um debate em que “Elas falam sobre Eles”, alguém dizer uma frase que achei simples mas de uma verdade/honestidade chocantes. Era algo do tipo que as mulheres inteligentes estão condenadas ao sofrimento enquanto as espertas safam-se sempre. Mais ou menos isto.
E depois de alguma análise/ponderação da vida tenho de afirmar que concordo plenamente.

Numa situação como a acima descrita a mulher esperta é capaz de o olhar com ar de ternura e dizer-lhe: “Coitado que cansado deves estar. Vai tomar um banho que eu preparo-te um chá para descontraíres”.

A mulher inteligente é incapaz, à partida, de uma atitude destas face a uma mentira descarada. Não aguenta a situação e confronta-o com o que se está a passar. Não gosta que a façam de parva.
As mulheres inteligentes dão muito trabalho e valorizam aquilo que as faz sentir bem que é o respeito por elas e pela sua integridade.

A mulher esperta dá valor a outro tipo de coisas. Mantém o casamento, o seu bem estar social fingindo não ver o óbvio e mantendo o marido ali junto a si. No fundo dando-lhe o que ela quer. Provavelmente não dá importância às mentiras e omissões que lhe são feitas nem se sente mal pelo facto do marido a fazer de tola.

Nesta situação as mulheres espertas acabam por ganhar aquilo que no fundo querem.
A inteligente perde, na maioria das vezes, o casamento, porque é incapaz de estar com dúvidas ou ter determinadas certezas e não agir em conformidade com a situação. Não consegue evitar o confronto.

Às vezes e face a estas situações pergunto quem é afinal inteligente? Será que em determinados momentos da vida não será mais fácil fechar os olhos? Vale a pena ter a certeza que se vai perder e ficar com o brio de não nos terem feito de parvas? Não estaremos desta forma a ser ainda mais parvas?
No fundo é tudo uma questão de auto-estima. Como é que conseguimos sentir-nos melhor? Acompanhadas ainda que enganadas? Ou sós mas sem que nos tenham feito passar por burras?

O.L.

Sexta-feira, Novembro 11, 2005

As senhoras são um bocadinho mais...Cuff... Cuff... Cuff... Esta tosse!

Isto na má condução não há sexo. Ou há civismo ou não. Contudo, todos temos dias muito complicados na estrada que, ou por preocupação, ou por cansaço, ou por alheamento, não estamos em condições de pegar num automóvel. Não há ninguém que não tenha pelo menos um dia assim.
O problema da condução, mais do que a vertente técnica da aprendizagem, prende-se com a educação e formação dos condutores. Não passa apenas pela velocidade. Passa pelo respeito pelos outros, por não deitar papéis pelo vidro, beatas de cigarros, ultrapassagens perigosas, etc.
Os peões também têm a sua quota de responsabilidade porque quantas e quantas vezes vemos as pessoas a andarem na estrada com um passeio disponível ao lado.
Agora, generalidades à parte, é mais do que óbvio que a irresponsabilidade na condução é muito maior nos homens que nas mulheres.
São mais os homens a conduzir com excesso de álcool no sangue. São mais os homens que são apanhados em excesso de velocidade e em despiques absurdos nas Auto-Estradas. Os acidentes mais violentos acontecem com os homens ao volante.
Deve ter a ver, com certeza, com alguma necessidade de afirmação que sinceramente não consigo entender, mas o que é certo é que colocam muitas mais vezes a vida de outros em risco que as mulheres.
As senhoras são aquilo a que se pode chamar mais “azelhas” – isto custou um bocadinho a sair.
São os pequenos toques, os problemas em estacionar, as pequenas distracções – mas também convenhamos que temos sempre a cabeça a mil e temos muito em que pensar! :)

O post não é mau, mas sem dúvida que temos de aprender a conduzir muito melhor!
O.L.

Tirem o volante a esta gente

Estou na passadeira, já bem visível, quase 2 m para dentro da estrada, mas paro porque o carro que se aproximava não me inspirou confiança. Se não tivesse tido cuidado, era bem possível que o grunho me tivesse atropelado. O mentecapto depois de passar por mim, 10 metros à frente, pára a um sinal vermelho, que já algum tempo estava naquele estado. A indelicadeza do burgesso para com minha pessoa nem se poderia explicar com uma tentativa de aproveitar o sinal no amarelo. Aquele animal acéfalo não ganhou tempo algum com a sua manobra arriscada (para mim).

A agressividade e condução perigosa são características quase universais nos homens portugueses. Fazem do seu carro um condomínio privado, onde sentem que são imortais acima da lei e das convenções. Todos os outros são potenciais inimigos e qualquer gesto delicado seria uma mostra de fraqueza. Numa sondagem efectuada há tempos atrás, à volta de 90% dos condutores dizia que os portugueses conduziam mal. No entanto, praticamente a mesma percentagem considerava-se como “bom condutor”.

Contudo, não se pense que as mulheres portuguesas estão livres de críticas neste campo. Acho que as mulheres também fazem da viatura um condomínio privado, mas ao contrário dos homens, que são agressivos e competitivos, as mulheres ficam desligadas. Também as mulheres criam situações de perigo, ao meterem-se na estrada sem olharem, ao ignorarem a existência de peões. Este autismo feminino ao volante também se vê em pequenos pormenores. Muitas mulheres não percebem que se chegassem o carro 1 m para a frente dariam um grande jeito a alguém atrás que quer passar.

É um post mau, porque somos maus ao volante...

MC

Terça-feira, Novembro 08, 2005

Amizade não tem género

Claro que é possível uma amizade entre um homem e uma mulher. Mas é preciso clarificar a terminologia. Há quem utilize a palavra “amizade” com a maior facilidade do mundo. Descobrimos que os colegas de trabalho são amigos, os companheiros de copos são amigos, os filhos e os pais são amigos, mulher/marido e namorados são também amigos. E por vezes, até os conhecidos de vista são denominados amigos. Chego à conclusão que a utilização tão ligeira da palavra amizade advém apenas de se desconhecer o que é a Amizade.

Não há mal nenhum em ser tão lato assim, mas penso que há um tipo de relação que, por ser tão especial, merecia ser chamada, e apenas ela, Amizade. É uma forma de relacionamento que não vive do contacto diário mas sim de encontros extraordinários, que as razões da vida podem obrigar a ser muito espaçados. Na Amizade existe uma igualdade absoluta e uma ética sem falhas, mas acontecem ambas de forma espontânea. A Amizade resulta de uma empatia misteriosa, que não se explica apenas pela existência de qualidades reconhecidas mutuamente, mas antes está em reconhecer o outro (o Amiga ou a Amiga) como alguém com quem se pode comunicar de forma ímpar e depositar uma confiança sem limites.

Posto isto, a Amizade é antes de tudo algo difícil de ocorrer porque só pode existir entre pessoas com determinadas características. A meu ver, as mais importantes são a honestidade, o conseguir entregar-se sem esperar receber algo em troca e um forte sentido da ética. E ainda penso existir outra característica fundamental mas que a ciência ainda não identificou e eu muito menos. E estas qualidades têm de estar realmente entranhadas para que a Amizade seja real e não apenas uma encenação diplomática.

Há ainda a questão da Amizade entre um homem e uma mulher. Penso que a amizade não tem género, o que podem é existir alguns constrangimentos sociais que possam afastar homens e mulheres destes contactos puros e desinteressados. Mas estabelecido o contacto, os sexos acabam.
MC

Homem e Mulher podem ser só amigos?

Tenho de concordar que as aptidões que cada um de nós tem podem ser mais ou menos apuradas durante a infância. Está mais do que provado que a aprendizagem de línguas, de música, desporto e mesmo matemática, é tanto mais eficaz quanto mais cedo se iniciar a sua aprendizagem.
Não concordo, naturalmente, que essas aptidões sejam diferenciadas conforme o sexo. O caso típico da matemática, supostamente mais vocacionada para o masculino, só o é porque durante anos sempre houve o estigma do bicho papão ser amigo íntimo desta disciplina.
Eu, que segui o caminho das letras por influência da minha professora de comunicação social, passei por esse preconceito parvo. Há relativamente pouco tempo, num dos momentos de saudosismo - que nós mulheres somos peritas :) - estive a ver as minhas notas do secundário e até ao 8.º ano era aluna de Muito Bom, na disciplina. Já nem me lembrava… E acho que não segui por essa área porque todos diziam que era muito difícil. É este discurso negativo que não se deve transmitir às crianças. Todas as áreas devem ser incentivadas independentemente da capacidade ou da empatia que temos mais por umas que por outras.
Quanto ao facto dos homens serem mais esforçados e obterem mais resultados naquilo a que se dedicam de corpo e alma, confesso que andei a pensar em exemplos. Não encontrei indícios. Talvez na área da culinária com o famoso Chefe Silva. Mas temos sempre a nossa Maria de Lurdes Modesto que, para o género, está perfeitamente à altura.

Amizade, é possível?

Feito o parêntese para responder ao post anterior lanço outra questão que é:
“É possível a amizade entre homem/mulher?”
Esta ideia surgiu-me neste domingo (e vou falar da minha vida particular um bocadinho). Estava a tomar café com um amigo de longa data e estava a contar-lhe que tinha um blog (este) em parceria com outra pessoa (homem).
A reacção surpreendeu-me porque antes de qualquer outra questão perguntou: “E então, já te convidou para tomarem um café, certo?!”
A resposta negativa deixou-o muito atónito e insistiu nessa possibilidade como se a elaboração do blog fosse um álibi para me conhecer.
Porque é que os homens têm sempre esta tendência de que qualquer relação, por mais inocente que seja, tenha de descambar em algo que não só a amizade?
Ou empatia virtual? Não acreditam na amizade, sem qualquer outro intuito por detrás?
Agora que penso nisto, será que este meu amigo… Nah!! :)

O.L.




Segunda-feira, Novembro 07, 2005

Meninas ao ataque

Esclareço o que quis dizer ao afirmar que o ensino actualmente beneficiava os homens em relação às mulheres. As mulheres são mais atentas e têm melhores capacidades de expressão verbal que os homens. Os homens têm melhor percepção visual, o que lhes pode facilitar a aprendizagem da física e de algumas áreas da matemática. Isto são apenas tendências genéricas que admitem múltiplas excepções. Mais que isso, a mente humana têm uma plasticidade enorme e pode com alguma persistência superar-se a si mesma.

O ensino igualitário não estimula esse superar-se a si mesmo, aliás, não estimula o que quer que seja. Os problemas da escola são tantos que já se desistiu de conseguir algo positivo. Medidas avulso de um ministério centralista, a centenas de quilómetros de distância da maior parte da escola, decidem a forma como a educação deve ser, quando estão completamente afastados da realidade. Algumas escolas privadas decidiram tomar uma atitude diferente (lembro-me de ter visto um documentário sobre uma escola inglesa). Todos os alunos são diferentes e há que insistir mais naquilo em que cada um possa ter mais dificuldades. É certo que isso implica em muitos casos a ter abordagens um pouco diferentes para homens e mulheres. O objectivo não é orientar cada um dos sexos para as suas aptidões “naturais”. É o contrário, é dar a cada um dos sexos a possibilidade de desenvolver as suas aptidões ao máximo e não condenar cada um àquilo que as suas aptidões inatas lhes ordenam. Tanto homens como mulheres, com este método, passaram a ter melhores desempenhos nas disciplinas em que tradicionalmente eram mais fracos.
Contudo, isto não pode iludir a questão do mérito e esforço pessoais. Supondo agora que estamos numa situação de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, qual dos sexos se esforça mais? Tenho uma noção intuitiva de que as mulheres são mais esforçadas e, diria mesmo, competentes que os homens. Já os homens serão mais de extremos, desmotivam-se com mais facilidade, chegam mesmo a conviver bem com a mediocridade. Mas quando se entregam realmente a algo, penso que é difícil uma mulher bater um homem...
MC

Quarta-feira, Novembro 02, 2005

É tão mais cómodo não lutar...

Gostaria que me esclarecesse em que aspectos considera que o ensino está mais vocacionado para as mulheres que para os homens? Baseia-se em quê para afirmar tal coisa?
O que pretende? Que sejam leccionadas determinadas disciplinas para homens e outras para mulheres?
Não vejo realmente onde quer chegar. O ensino é dado uniformemente e, consoante a vocação de cada jovem, é dada a possibilidade de escolha, por igual.
Lembro-me perfeitamente de ter tido aulas de electrotecnia e fazer trabalhos ao lado dos meus colegas e, apesar de ter sempre uma positiva tangencial, não senti nunca que era tarefa para os rapazes. Tenho consciência que não tirei melhores notas, pura e simplesmente porque era uma disciplina que não me interessava e porque o próprio professor não a incutia da melhor forma. Mas estávamos ali a trabalhar de igual para igual.
Fala em voltar ao tempo de divisão de turmas com base no sexo para quê? Não me diga que defende as disciplinas mais técnicas vocacionadas para os rapazes e as raparigas a voltarem às aulas de tecelagem, costura, religião e boas maneiras… É isso que defende para que os homens mais cedo ou mais tarde não fiquem para trás?
Se ficarem para trás – algo que não acredito – será sempre por culpa própria. Lutem, trabalhem e adaptem-se às novas realidades tal como as mulheres o fizeram ao longo de anos e anos para poderem hoje ter os direitos que têm.

Maternidade...


E volto a tocar no factor da maternidade. Porque todos os estudos indicam que, efectivamente, o maior número de licenciados em Portugal é mulheres. Mas esses mesmos estudos sociológicos referem que se perdem ao longo da vida profissional.
Há, efectivamente muitas domésticas licenciadas. E isto deve-se a um facto muito claro, que espero eu, desapareça nas próximas gerações.
A pressão para tomar conta dos filhos, enquanto obrigação social e emocional, recai muito nas mulheres. A mulher sempre foi educada no sentido de tomar conta da casa e estar por detrás a apoiar a carreira do marido. A abdicar em muito da sua própria vida, em prol da harmonia familiar.

Pergunto, quantos maridos estão dispostos a fazer o contrário? A saírem do emprego às 18H00, em vez de ficarem a fazer serões – quem quer evoluir profissionalmente não pode trabalhar apenas durante o horário normal de expediente – para ir buscar as crianças à escola, levá-las para casa, dar-lhes banho, preparar o jantar, ver os trabalhos de casa, brincar e ler-lhes uma história antes de dormir, ir às reuniões escolares, às consultas de pediatria previstas e imprevistas, tratar das roupas… Quantos estão preparados para isto?
A mulher tem o poder de se adaptar mais rapidamente que os homens a novas realidades. Tem uma capacidade de trabalho maior porque sempre foi obrigada a trabalhar muito mais. Os homens só não têm porque não querem. É tão mais cómodo chegar a casa, descalçar os sapatinhos e já ter tudo preparado.
E mais, lanço desde já uma outra questão – é que o Mário tocou-me num ponto fraco e detesto quando as pessoas se armam em coitadinhas – no caso de divórcio, a pressão é ainda muito maior. A percentagem de pais (homens) que ficam com os filhos é extremamente reduzida – e não é só porque os juízes assim o decidem – é por própria comodidade. Porque se houver bom senso, ainda que a tutela das crianças esteja com a mãe o pai terá a obrigação de participar activamente. A maioria não o faz porque é muito mais cómodo ter a responsabilidade das crianças de 15 em 15 dias. Quantas mulheres perdem nestas circunstâncias a oportunidade de subir na carreira porque não têm com quem deixar os filhos?
Talvez este factor, explique porque é que nos cargos de chefia estão sobretudo homens de meia-idade com mais credenciais profissionais!

O.L.



Segunda-feira, Outubro 31, 2005

Mulheres e poder

O poder no feminino sempre foi mais subtil que o exercido pelos homens, nestes quase sempre pela força e, mais tarde, por mecanismos sociais que foram conseguindo manter o poder adquirido sem admitir disputa. Ilusão de muitos homens pensarem que o poder é só uma questão das grandes decisões. Mais versadas nas artes da comunicação, as mulheres conseguiram o monopólio do “poder invisível”, daquele que é exercido sem ser visto, que não está descrito mas que se faz sentir numa miríade de assuntos quotidianos.

O casal do futuro, doutora + trolha, promete revolucionar este estado de coisas. Penso ser apenas uma questão de tempo até as mulheres dominarem os mais elevados cargos nas empresas e na política. Pode-se argumentar que isso agora não acontece porque os homens, dominantes, não querem abdicar do poder e têm um maior conhecimento dos mecanismos que permitem ascender na hierarquia, bem como das rasteiras envolvidas. Concedo, mas penso que a verdadeira razão é outra. Os locais mais elevados numa hierarquia são atingidos quando as pessoas se aproximam da meia-idade (claro que há excepções , mas esta é uma análise generalista). E nessa faixa etária os homens ainda apresentam maiores credenciais. Mas é só uma questão de tempo de irem para a reforma e darem lugar uma geração de bem preparadas mulheres.

Penso também que a questão da maternidade estará a ficar mitigada com a emergência do realce pela paternidade. Em muitos círculos começa a ser de mau tom uma mulher deixar tudo para ser mãe e um pai não der uma forte contribuição para a questão. E se analisarmos bem a situação, as mulheres que têm atingido os mais elevados patamares de responsabilidade não são mães também? A resposta é quase sempre positiva, por isso é perfeitamente possível compatibilizar a maternidade com a ascensão na carreira.

Mas voltando ao casal do futuro, uma das questões relevantes penso ser a das novas responsabilidades que o poder confere. Acha que não possível inverter papeis. As mulheres passarão a dominar o poder das grandes decisões mas manterão também o “poder invisível”. A falta de aptidões naturais dos homens para questões de comunicação, realçada pelas baixas formações que terão tendência a ter, vai relegá-los para um lugar incerto, amorfo, onde não serão chamados para nada.
Penso ser uma ilusão achar que esta discrepância entre homens e mulheres não ter qualquer relevância nos relacionamentos. Achar que mais importante que ter uma licenciatura é ter sede de ver e aprender novas coisas é fazer uma separação artificial. Se os homens tivessem a mesma sede de aprender e ver coisas novas, não estariam tão atrás das mulheres. No entanto, as sociedades são adaptativas. O ensino actual é, sem assim ter sido projectado, muito mais adaptado às mulheres que aos homens. Apesar de serem evidências já bem estabelecidas cientificamente, os poderes políticos e as consciências públicas estão longe de admitir que é necessário um ensino diferenciado para homens e mulheres. Tal vai contra a ideologia igualitarista dominante. Mas se não queremos condenar os homens do futuro a um regime de servidão, será necessário separá-los das mulheres. Eles não irão gostar nada, mas será para o seu bem...

MC

Sexta-feira, Outubro 28, 2005

União # Comunicação

Questiona, como comunicará o casal do futuro, partindo do pressuposto retirado não sei de onde, nem com que fundamento, nem de que país, que esse tal casal será composto por mulheres licenciadas e cultas (a dominar) e homens com a escolaridade obrigatória e culturalmente inferiores (subjugados). Creio que basicamente foi isto que escreveu e, confesso, que achei piada.
O “tal” casal do futuro comunicará ou não como os actuais casais e como os antigos casais. Não vejo aqui nada de extraordinário, será como sempre foi.
O haver cada vez mais mulheres licenciadas é um facto. Mas ter uma licenciatura não é sinónimo de cultura. E este é também um facto indiscutível para os dois sexos.
Conheço muitos licenciados que são uma verdadeira “seca” enquanto pessoas porque não têm vivência. Conhecem muitos livros, sabem tecnicamente imenso daquilo que estudaram mas numa conversa supostamente simples são pretensiosos, para não dizer, dizendo, chatos.
Outras pessoas existem que são interessantes, divertidas e extremamente cultas devido à vivência. Também os há assim licenciados, naturalmente.

O que se esqueceu de acrescentar é que depois, na vida real, no trabalho e nos postos de comando das empresas, o tal elevado número de mulheres licenciadas desaparece. A maternidade ainda é um impeditivo para o progresso profissional, seja pelos empresários ou pela mentalidade feminina. Ser mãe implica uma maior entrega por parte da mulher. E é sempre mais desgastante para elas. E em 90% dos casos quem abdica da situação profissional para tomar em mãos a educação das crianças é a mulher.
Quanto aos “poucos universitários homens que restarem e que ficarão quase de certeza na solidão, preteridos por qualquer trolha” – já os estou a ver algures num beco escuro, de barba por fazer com um ar deprimido e desgraçado. :) Não será assim com toda a certeza. As pessoas unem-se por interesses e expectativas comuns. Se há licenciados com pessoas com escolaridade inferior é porque têm interesses que as mantém juntas. Há a música, a cultura, o cinema, os livros, os passeios, o mar, a informação, o teatro e inúmeras outras coisas que podem ser pontos de conciliação, de união, de cumplicidade.
Não creio que estas situações dependam de uma licenciatura. Dependem da vontade de ver e aprender coisas novas por parte do casal. Se não houver essa vontade de descoberta e redescobertas mútua, provavelmente, as coisas complicam-se, mas isso não tem nada a ver com níveis de escolaridade
.
O.L.

Quinta-feira, Outubro 27, 2005

Mais questões sobre a comunicação

É demasiado simplista dizer que há um problema a partir do momento em que as mulheres falam muito e os homens pouco. Não só porque há homens mais faladores que mulheres e mulheres que mal abrem a boca. Não há qualquer problema se uma das partes do casal falar muito mais que a outra, porque tal pode agradar a ambos. O problema real é quando falar muito ou falar pouco são sintomas de falta de respeito e falta de atenção. Ou seja, quando a mulher fala e deixa a cabeça do homem em água, quando o homem se cala ou fala entre dentes para mostrar desprezo. Em geral são comportamentos que se reforçam mutuamente, conduzindo a um estado estável de crispação, que parece viciar muitos casais. Cada uma das partes tem a ilusão que tudo seria muito melhor se o outro cedesse, porque obviamente é o outro que está errado. Antes de mais, trata-se de uma questão ética, mas não sei porque razão, quando as pessoas atingem um certo nível de intimidade com alguém pensam que a ética deixou de importar.

Mas como será a comunicação no casal do futuro? Faço a pergunta devido à evidente discrepância que vai existir no casal do futuro, tendo em conta as frequências universitárias de cada sexo, com um predominância muito maior para as mulheres. As razões disso acontecer são várias e não queria, para já, discuti-las aqui. Nem sequer penso que se pode dizer que agora a desigualdade é ao contrário do que antes era, quando antes eram as mulheres que tinham em média menos escolaridade, porque a escolaridade média dos homens era também muito baixa.
O casal do futuro será composto, tipicamente. por uma mulher licenciada e um homem com o secundário, provavelmente nem sequer completado (como sabemos, os poucos universitários homens que restarem ficarão quase de certeza na solidão, preteridos por qualquer trolha que dará a ilusão de ser mais facilmente manobrável). Como será a comunicação entre um casal em que o homem será muito mais ignorante, não conseguirá discutir a maior parte dos assuntos com a mulher e tiver uma remuneração que poderá ser à volta de metade desta? Serão os homens vistos apenas como parceiros sexuais, incapazes de serem companheiros devido às suas limitações?
MC

Quarta-feira, Outubro 26, 2005

Comunicação e mistério

Antes de assumir que um relacionamento precisa disto ou daquilo, seria melhor perceber logo que não é fácil. No entanto, a ilusão que nos venderam durante décadas a fio é que era tudo fácil, desde que tivéssemos uma crença no amor. E seríamos felizes até ao fim dos nossos dias. É curioso que há uns anos atrás quem se atrevesse a pôr em causa esta visão romântica do amor era logo censurado, considerado frio, que não sabia aproveitar a vida, mais, que a sua vida não tinha qualquer sentido porque não se entregava àquilo que mais de importante há, que seria o Amor.

Passados poucos anos, esta visão romântica quase desapareceu. Quase que se passou a ter vergonha de dizer que se ama alguém. Quando se fala em amor pensasse num ligeiro sentimento de afecto, sem grande apego. De certa forma isto foi positivo para as pessoas começarem a olhar para coisas mais concretas nos relacionamentos, que os obrigam a perceber o que andam a fazer mal. Os relacionamentos tornaram-se negócios pessoais, em que todos são simultaneamente mercadoria e negociadores. Todos podem ganhar ou perder, valorizar-se ou cair em desgraça.

No entanto, como disse a Olga, no fulcro de tudo ainda está a comunicação. E esse problema já foi identificado inúmeras vezes, bem como as formas de melhor a comunicação Contudo o problema persiste, mesmo com muito boa vontade. Pondo já de parte os casos em que as pessoas não comunicam porque não querem ouvir, penso que mesmo com a melhor das intenções, comunicar é muito difícil. E é difícil porque entra em contradição com o mistério que é necessário e também com diferenças que nunca se conseguirão anular entre homens e mulheres.

Quando as pessoas falam na importância da comunicação, esquecem que muito do desenvolvimento de uma relação baseou-se no desvendar e no criar de pequenos mistérios. Nas surpresas, no espanto, no maravilhar, no se deixar encantar por alguém que é diferente de nós, alguém que têm um universo completamente distinto mas que nos dá uma pequena porta de entrada para um evento de partilha. Os antigos consideravam a comunicação uma dádiva dos deuses. Faziam-no porque percebiam que de facto era um milagre, algo, em última instância, inexplicável. Damos a comunicação como algo adquirido, instantâneo e sem falhas. Na verdade, comunicar é das coisas mais belas e difíceis que podem existir. Se nos demitirmos deste esforço, não poderemos esperar que algo resulte.
MC

Comunicação, meu caro!!

Confesso que quando li pela primeira vez o post anterior fiquei um pouco confusa.
Reli várias vezes. Reflecti sobre as duas boas questões colocadas.

- Porque razão as relações falham?

- Porque razão algumas relações resultam, apesar de todas as probabilidades serem desfavoráveis?

Devo adiantar que também para estas questões poder-se-á utilizar a mentalidade empresarial. Porque nada é preto/branco. Há negócios que à partida poderão ser altamente rentáveis, após todas as análises e estudos efectuados, mas que na praticam não resultam. Um negócio cujas probabilidades de sucesso são pouco elevadas mas que se apresente devidamente ao sector pode reverter a situação pessimista em que se situava inicialmente.

Os motivos?
São variados, mas a comunicação é, na minha opinião, fundamental, para o sucesso ou insucesso.

Analisar as situações, agir em conformidade, saber comunicar, conseguir fazer passar a mensagem é o segredo/causa para o sucesso de relações cujas probabilidades de darem certo serem, à partida, reduzidas.

Porque razão as relações falham?
Porque deixou de haver diálogo ou nunca houve. Falta de conteúdo.
O.L.